sábado, 23 de março de 2013

RELATÓRIO DE VIAGEM


RELATÓRIO DE VIAGEM: VISITA AS REGIÕES QUE PODUZIRAM AÇÚCAR EM SERGIPE ENTRE OS SÉCULOS XVI E XX COM A TEMÁTICA “I CICLO DE ESTUDOS SOBRE OS ENGENHOS EM SERGIPE” NAS CIDADES DE SANTA LUZIA DO ITANHY, ITAPORANGA, SÃO CRISTOVÃO E LARANJEIRAS.


Célia de Oliveira Andrade
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe/UFS

            No dia 09 de março de 2013, realizou-se o I Ciclo Estudos Sobre Engenhos Em Sergipe” acompanhados pelo professor Antônio Lindvaldo Sousa do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS) especialista na história de Sergipe juntamente com turma de Sergipe II visitamos propriedades rurais atualmente que possuem significativo valor para a história de Sergipe e que já foram sedes de importantes engenhos de açúcar entre os séculos XVI e XX objetivando mostrar a grande importância mostrar que o cultivo da cana-de-açúcar gerou nesse período para o estado sobrevivente em edificações.
            O roteiro se deu pelos engenhos em Sergipe nas regiões da Vasa-Barris (Itaporanga e Santa Luzia do Itanhy) e Cotinguiba( São Cristovão e Laranjeiras). E por fim passamos na fazenda Santa Cruz de propriedade de Dona Baby. Um estudo no engenho nos possibilita a remeter vários pontos sobre a vida política, econômica, social, cultural, da alimentação e do meio ambiente no qual esta inserido. Assim também, perceber que seus donos vão sofrer com o auge, as crises, a ascensão, os acordos, as  relações de casamentos tudo para manter viva a atividade no engenho.

Figura 1- Turma de Sergipe II ( Acervo Mayara Oliveira)


A Viagem

            A viagem teve inicio as 6:30 h da manhã saindo do posto de gasolina em frente a rodoviária nova. De onde seguimos para o primeiro engenho a ser visitado localizando-se em Santa Luzia do Itanhy. O engenho São Felix que alguns dizem ter recebido este nome possivelmente pela existência do capitão mor Félix da Rosa. Sendo que já foi chamado de Engenho Tuntun próximo ao rio Guararema e a mata de São Félix, revela em sua arquitetura e mobília traços do período colonização portuguesa em seu desenvolvimento. Este surge no século XVII (1632) como parte do engenho Antas. Fora fundado por um ancestral dos Vieira, porém seu domínio se deu durante estes anos entre as famílias Vieira e Leite que até hoje administram a propriedade.
             Figura 2- Frente da Casa-grande do Engenho São Félix em Santa Luzia do Itanhy. ( Acervo: Diego Vinicius)

        Cada mobília da casa apresenta a perfeição da época como também seu piso, a casa apresenta muitas janelas para dar visão ao senhor de engenho de sua propriedade e dar luminosidade numa época em que não se tinha energia. Podemos ver também quadros com fotos mostrando os moradores de engenho dos séculos XVIII e XIX. Este foi o primeiro a fechar na região quando o cultivo do açúcar entra em crise. Sua importância histórica esta nas atividades desenvolvidas pela propriedade, a representatividade econômica e política na região daquela época como também os casos de amores, as formas conjugais desta por relações sociais e políticas e pelo ambiente que conta a vida deste engenho.

 Figura 3- Mobília do Engenho São Félix.

           Nas primeiras décadas do século XIX, era seu proprietário o Tenente-Coronel Paulo de Souza Vieira e sua esposa, D. Joaquina Hermelinda da Costa que constituíram a primeira parte da história do Engenho São Félix tem como destaque a figura do Tenente-Coronel Paulo de Souza Vieira que em sua administração do engenho com a ampliação da casa-grande e das terras, era possuidor de grande influencia política na época. A construção do sobrado se deu em 1848, construído de pedra e cal. Na parte de cima morava a família e na parte de baixo tinha a cozinha, o armazém, o depósito, a senzala e a escola. Apesar dessa grande contribuição morre ao mexer na roda do moinho aos 40 anos.
            A segunda parte da história desse engenho se aconteceu quando viúva D. Joaquina casa-se com José de Oliveira Leite, o Barão de Timbó, ganhando assim o título de baronesa. Seus filhos serão médicos, advogados que tiveram o contato com o engenho e com outros lugares onde foram estudar. Nesta fase o auge do açúcar favorecera a nova administração. A propriedade do São Felix passou por diversos membros da família Vieira. Em 1914, século XX, tornou-se usina parando suas maquinas entre as décadas de 60 e 70 deste século.
            A propriedade foi tombada como patrimônio do Estado pela Lei 6.126 em 06 de janeiro de 1984 e mesmo passando por reformas ao longo dos seus anos continua preservando as suas características originais. Hoje a renda gerada na propriedade vem da criação de gado.


   Figura 4-  Antiga Usina e Criação de gado no Engenho São Felix

           Terminada esta primeira visita, fomos para a cidade de Itaporanga mais precisamente na fazenda Camaçari antigo Engenho Camaçari localizado na margem direita do vaza-barris. Onde fomos bem recepcionados por sua atual dona e tivemos uma aula sobre o domínio do Barão de Itaporanga sobre as terras do atual município de Itaporanga D’Ajuda através da história do Engenho Camaçari com professor Samuel. Sua temática se constituiu a partir de documentos que falam da historia do engenho.

                                                                Figura 5- Fazenda Camaçari.

         O primeiro documento sobre sua existência data existir desde 1807 com propriedade de José Ribeiro Losano sobre o qual não há mais detalhes. O segundo documento surgiu em 1855 no auge da produção do açúcar em Sergipe por Sebrão Sobrinho no livro Laudas para a História de Aracaju reeditada por Orlando Dantas em A Vida Patriarcal em Sergipe.
             Estes trazem que o engenho pertenceria ao Brigadeiro Domingos Dias Coelho de Melo que tendo sido reconhecido fora lhe concedido o título de Barão de Itaporanga. Que se tornou muito conhecido por seu grande domínio de feudos juntamente com seus descendentes na região. Ao lado deste encontra-se o Engenho Escurial pertencente ao filho do dono do Camaçari Antônio Dias Coelho de Melo, engenheiro formado na França. Ao leste do Engenho Camaçari como extensão formou-se o Engenho Itaporanga também pertencente ao Barão onde hoje é a praça matriz da atual cidade de Itaporanga. Ao norte do Engenho Camaçari surge o Engenho Quindonga pertencente à Ana Dias Coelho de Melo, filha do Barão. Pertenciam a esta família também o Cumbe de Baixo e o Colégio Tejupeba. Com exceção do Engenho Belém que pertencente à família Oliveira Freire.
            A família Dias Coelho de Melo tinha tanto prestigio que fora visitado por D. Pedro II quando esteve em Sergipe, isso porque o dono do Engenho Escurial Antônio Dias Coelho de Melo mais tarde nomeado Barão de Estância que se tornou a segunda figura política maior destaque na segunda metade do século XIX. Este com a morte de sua mãe Dona Maria Micaela Dantas de Melo em 1873 recebera como herança o Engenho Camaçari pertencendo-o até 1891.
             Nesta fazenda pudemos entrar em contato com a sua história através dos seus móveis e objetos. Como também sua capela. 

                         Figura 6- Mobília da Fazenda Camaçari.

                  Figura 7- Objetos da Fazenda Camaçari.

Figura 8 - Capela



                                                                                        


            Após esta visita fomos almoçar e logo depois partimos para o município de São Cristovão para conhecermos o Engenho Dira localizado numa outra região próspera do açúcar em Sergipe a do Vaza Barris.

              Figura 9- CASA GRANDE -  Engenho Dira.

           Nele tivemos a aula pública sobre o presente engenho na capela construída em 1703. Dira teve seus primeiros donos no século XIX, com Antonio Teles de Menezes e a Dona Lourença de João Sobral Luiz. Onde com a morte de Antônio Teles em 1849 sua esposa mostrara como as mulheres daquela época tinha pulso forte. Ela com determinação toma a administração do engenho vendendo-o no século XX para a família Dias, sendo que no mesmo século volta para a família Sobral. E atualmente o engenho Dira pertence à família Marata que formidavelmente preserva o patrimônio histórico. Ao analisar o aspecto físico, o professor tomou como referencia a arquiteta Kátia loureiro que diz ter tido a casa-grande duas etapas, uma voltada para o colonial e outra neogótica datando 1870 e que a capela é singela em sua estrutura possuindo encontra-se longe da casa-grande.

      Figura 10 -  Capela do Engenho Dira.

               Há na capela a imagem de São Benedito, santo colonial, que nos garante a sua festa no engenho e a presença do catolicismo penitencial devido à imagem de Cristo crucificado que esta possui. Ligada a pedagogia do medo pregada pelo Vaticano I.
          Seguimos então, para a nossa última visita a fazenda Santa Cruz de Bragança localizada no município de Laranjeiras na região de maior destaque na produção do açúcar, o Cotinguiba. A fazenda surgiu no século XVIII como engenho Santa Cruz da família Bragança, sendo seus donos um casal muito famoso a professora Possidonia de Santa Cruz Bragança, surge daí o nome da fazenda, e ao médico senhor Bragança muito famoso por sua luta contra a cólera morbus e por ser dono do principal hospital de Laranjeiras. Atualmente a fazenda pertence aos antigos donos do Engenho Pedras, a família Prado Leite.
            Encontramos na casa da fazenda um quadro com a matriarca da família Rollemberg Leite, Maria do Toco ou Maria de Faro Rollemberg que ao ficar viúva muito cedo soube encaminhar sua família através de casamentos bem sucedidos para a época. Nela também estão guardados o mobiliário  de dois engenhos o Engenho Pedras e o Oiterinhos conseguidos como herança.

  Figura 11 -Fazenda Santa Cruz.




Conclusão
            Apesar de ter sido muito cansativa, a viagem mostrou-se muito significativa para nós graduandos no curso história, pois pudemos conhecemos as três regiões do estado de Sergipe que mais prosperaram com a produção do açúcar. E como disse o professor Lindvaldo somos privilegiados por isso. Ver estes engenhos e seus moveis e objetos nos fazem voltar ao passado colonial de Sergipe. 



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