Figura 1- Turma de Sergipe II ( Acervo Mayara Oliveira)
A Viagem
A
viagem teve inicio as 6:30 h da manhã saindo do posto de gasolina em frente a
rodoviária nova. De onde seguimos para o primeiro engenho a ser visitado
localizando-se em Santa Luzia do Itanhy. O engenho São Felix que alguns dizem
ter recebido este nome possivelmente pela existência do capitão mor Félix da
Rosa. Sendo que já foi chamado de Engenho Tuntun próximo ao rio Guararema e a
mata de São Félix, revela em sua arquitetura e mobília traços do período
colonização portuguesa em seu desenvolvimento. Este surge no século XVII (1632)
como parte do engenho Antas. Fora fundado por um ancestral dos Vieira,
porém seu domínio se deu durante estes anos entre as famílias Vieira e Leite
que até hoje administram a propriedade.
Figura 2- Frente da Casa-grande do Engenho São
Félix em Santa Luzia do Itanhy. ( Acervo: Diego Vinicius)
Cada
mobília da casa apresenta a perfeição da época como também seu piso, a casa
apresenta muitas janelas para dar visão ao senhor de engenho de sua propriedade
e dar luminosidade numa época em que não se tinha energia. Podemos ver também
quadros com fotos mostrando os moradores de engenho dos séculos XVIII e XIX.
Este foi o primeiro a fechar na região quando o cultivo do açúcar entra em
crise. Sua importância histórica esta nas
atividades desenvolvidas pela propriedade, a representatividade econômica e
política na região daquela época como também os casos de amores, as formas
conjugais desta por relações sociais e políticas e pelo ambiente que conta a
vida deste engenho.
Figura 3- Mobília do Engenho São Félix.
Nas primeiras décadas do século XIX, era seu
proprietário o Tenente-Coronel Paulo de Souza Vieira e sua esposa, D. Joaquina
Hermelinda da Costa que constituíram a primeira parte da história do Engenho
São Félix tem como destaque a figura do Tenente-Coronel Paulo de Souza Vieira
que em sua administração do engenho com a ampliação da casa-grande e das
terras, era possuidor de grande influencia política na época. A construção do
sobrado se deu em 1848, construído de pedra e cal. Na parte de cima morava a
família e na parte de baixo tinha a cozinha, o armazém, o depósito, a senzala e
a escola. Apesar dessa grande contribuição morre ao mexer na roda do moinho aos
40 anos.
A
segunda parte da história desse engenho se aconteceu quando viúva D. Joaquina casa-se
com José de Oliveira Leite, o Barão de Timbó, ganhando assim o título de
baronesa. Seus filhos serão médicos, advogados que tiveram o contato com o
engenho e com outros lugares onde foram estudar. Nesta fase o auge do açúcar
favorecera a nova administração. A propriedade do São Felix passou por diversos
membros da família Vieira. Em 1914, século XX, tornou-se usina parando suas
maquinas entre as décadas de 60 e 70 deste século.
A
propriedade foi tombada como patrimônio do Estado pela Lei 6.126 em 06 de
janeiro de 1984 e mesmo passando por reformas ao longo dos seus anos continua
preservando as suas características originais. Hoje a renda gerada na
propriedade vem da criação de gado.
Figura 4- Antiga Usina e Criação de
gado no Engenho São Felix
Terminada esta primeira visita, fomos
para a cidade de Itaporanga mais precisamente na fazenda Camaçari antigo Engenho
Camaçari localizado na margem direita do vaza-barris. Onde fomos bem
recepcionados por sua atual dona e tivemos uma aula sobre o domínio do Barão de
Itaporanga sobre as terras do atual município de Itaporanga D’Ajuda através da
história do Engenho Camaçari com professor Samuel. Sua temática se constituiu a
partir de documentos que falam da historia do engenho.
Figura 5- Fazenda Camaçari.
O primeiro documento sobre sua
existência data existir desde 1807 com propriedade de José Ribeiro Losano sobre
o qual não há mais detalhes. O segundo documento surgiu em 1855 no auge da
produção do açúcar em Sergipe por Sebrão Sobrinho no livro Laudas para a História de Aracaju reeditada por Orlando Dantas em A Vida Patriarcal em Sergipe.
Estes trazem que o engenho pertenceria ao
Brigadeiro Domingos Dias Coelho de Melo que tendo sido reconhecido fora lhe
concedido o título de Barão de Itaporanga. Que se tornou muito conhecido por
seu grande domínio de feudos juntamente com seus descendentes na região. Ao
lado deste encontra-se o Engenho Escurial pertencente ao filho do dono do
Camaçari Antônio Dias Coelho de Melo, engenheiro formado na França. Ao leste do
Engenho Camaçari como extensão formou-se o Engenho Itaporanga também
pertencente ao Barão onde hoje é a praça matriz da atual cidade de Itaporanga. Ao
norte do Engenho Camaçari surge o Engenho Quindonga pertencente à Ana Dias
Coelho de Melo, filha do Barão. Pertenciam a esta família também o Cumbe de
Baixo e o Colégio Tejupeba. Com exceção do Engenho Belém que pertencente à
família Oliveira Freire.
A
família Dias Coelho de Melo tinha tanto prestigio que fora visitado por D.
Pedro II quando esteve em Sergipe, isso porque o dono do Engenho Escurial
Antônio Dias Coelho de Melo mais tarde nomeado Barão de Estância que se tornou
a segunda figura política maior destaque na segunda metade do século XIX. Este
com a morte de sua mãe Dona Maria Micaela Dantas de Melo em 1873 recebera como
herança o Engenho Camaçari pertencendo-o até 1891.
Nesta
fazenda pudemos entrar em contato com a sua história através dos seus móveis e
objetos. Como também sua capela.
Figura 6- Mobília da Fazenda Camaçari.
Figura 7- Objetos da Fazenda Camaçari.
Figura 8 - Capela
Após esta visita fomos almoçar e logo
depois partimos para o município de São Cristovão para conhecermos o Engenho
Dira localizado numa outra região próspera do açúcar em Sergipe a do Vaza
Barris.
Figura 9- CASA GRANDE - Engenho Dira.
Nele tivemos a aula pública sobre o
presente engenho na capela construída em 1703. Dira teve seus primeiros donos
no século XIX, com Antonio Teles de Menezes e a Dona Lourença de João Sobral Luiz.
Onde com a morte de Antônio Teles em 1849 sua esposa mostrara como as mulheres
daquela época tinha pulso forte. Ela com determinação toma a administração do
engenho vendendo-o no século XX para a família Dias, sendo que no mesmo século
volta para a família Sobral. E atualmente o engenho Dira pertence à família Marata
que formidavelmente preserva o patrimônio histórico. Ao analisar o aspecto
físico, o professor tomou como referencia a arquiteta Kátia loureiro que diz
ter tido a casa-grande duas etapas, uma voltada para o colonial e outra
neogótica datando 1870 e que a capela é singela em sua estrutura possuindo
encontra-se longe da casa-grande.
Figura 10 - Capela do Engenho Dira.
Há na capela a imagem de São Benedito,
santo colonial, que nos garante a sua festa no engenho e a presença do
catolicismo penitencial devido à imagem de Cristo crucificado que esta possui.
Ligada a pedagogia do medo pregada pelo Vaticano I.
Seguimos
então, para a nossa última visita a fazenda Santa Cruz de Bragança localizada
no município de Laranjeiras na região de maior destaque na produção do açúcar,
o Cotinguiba. A fazenda surgiu no século XVIII como engenho Santa Cruz da
família Bragança, sendo seus donos um casal muito famoso a professora
Possidonia de Santa Cruz Bragança, surge daí o nome da fazenda, e ao médico
senhor Bragança muito famoso por sua luta contra a cólera morbus e por ser dono
do principal hospital de Laranjeiras. Atualmente a fazenda pertence aos antigos
donos do Engenho Pedras, a família Prado Leite.
Encontramos
na casa da fazenda um quadro com a matriarca da família Rollemberg Leite, Maria
do Toco ou Maria de Faro Rollemberg que ao ficar viúva muito cedo soube
encaminhar sua família através de casamentos bem sucedidos para a época. Nela
também estão guardados o mobiliário de
dois engenhos o Engenho Pedras e o Oiterinhos conseguidos como herança.
Figura 11 -Fazenda Santa Cruz.
Conclusão
Apesar de ter sido muito cansativa,
a viagem mostrou-se muito significativa para nós graduandos no curso história,
pois pudemos conhecemos as três regiões do estado de Sergipe que mais
prosperaram com a produção do açúcar. E como disse o professor Lindvaldo somos
privilegiados por isso. Ver estes engenhos e seus moveis e objetos nos fazem
voltar ao passado colonial de Sergipe.
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