RELATÓRIO DE VIAGEM:
VISITA AO SERTÃO COM A TEMÁTICA “ RELIGIOSIDADE, MITOS E REPRESENTAÇÕES
SERTANEJAS” NAS CIDADES DE NOSSA SENHORA DAS DORES, NOSSA SENHORA DA GLÓRIA,
MONTE ALEGRE E POÇO REDONDO.
Célia de Oliveira
Andrade
Graduanda em História pela Universidade Federal de
Sergipe/UFS
O departamento de História da Universidade Federal de Sergipe
(UFS) sob organização do professor Antônio Lindvaldo Sousa realizou uma viagem
ao sertão no período de 26 a 27 de fevereiro de 2013, com a turma de Sergipe II
na qual tivemos a oportunidade de integrar-se alguns participantes do IV
projeto de História de Sergipe para a terceira Idade, outra professora do departamento
Maria Nely Santos e um grupo de monitores. Contando também com a presença do
cantor Ygo Araújo Ferro.
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(Turma de Sergipe II)
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O objetivo deste evento científico foi chamado de II Ciclo de
Estudos: “O Sertão tem Histórias” fora visitar cidades do nordeste brasileiro,
sendo elas: Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre e
Poço Redondo. Cidades essas que foram exploradas sob a temática “Religiosidade,
Mitos e Representações Sertanejas”.
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(Mapa das cidades onde estivermos circuladas de amarelo)
A viagem teve início na manhã do dia 26 de fevereiro de 2013
às 06 horas e trinta minutos, saindo do posto de gasolina na frente da rodoviária nova na cidade de
Aracaju. Nossa primeira parada ocorreu em Nossa Senhora das Dores no
Restaurante Rota do Cangaço para tomarmos café. Em seguida, visitamos a igreja
da mesma onde tivemos a oportunidade de observar sua estrutura e
características que a ligam a pedagogia do medo (Vaticano I).
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(Eu, Airles Almeida, Cleane Andrade e o
proprietário do restaurante Rota do Cangaço/ Igreja de Nossa Senhora das Dores)
A abertura do evento se concretizou com a aula pública, ainda
em Dores, sobre os penitentes e a apresentação demonstrativa dessa
religiosidade com alguns integrantes desse grupo que tradicionalmente saem na
semana santa. Para falar sobre os penitentes, estava presente a professora de
História Magneide (Graduada em História pelo PQD – Projeto de Qualificação dos
Docentes) que teve esse assunto como tema de sua monografia em 2002. Ela falou
do surgimento que é de origem europeia recebendo este nome em Nossa Senhora das
Dores, da recusa da igreja até aderir juntamente com a mentalidade da população
local, como ocorre na semana santa, sobre seus participantes em que alguns
escondem seus rostos e outros não e que atualmente são mais de 700 integrantes.
( Prof.
Magneide)
Logo mais, ocorrera uma pequena demonstração de alguns
integrantes do grupo dos Penitentes na qual pudemos observar detalhes de suas
vestes brancas, seus cânticos, instrumentos, gestos e objetos utilizados.
(Demonstração dos Penitentes)
Nessa mesma ocasião, o professor João Paulo Araújo Carvalho,
formado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), traz em sua
fala a história da Igreja Católica neste município sua chegada, principais
responsáveis, as mudanças ocorridas em sua estrutura física e estilo. E as
quatro procissões que ocorrem na sexta-feira da paixão na semana santa, são
elas: Cruzeiro do Século, Madeiro, Senhor Morto e Penitentes. Para melhor
entendimento sobre como ocorrem essas procissões foi exibido um vídeo das
mesmas na cidade.
Prof. João Paulo
Com o término da aula pública, seguimos para o restaurante
Rota do Cangaço para almoçarmos. Em seguida, fomos para a próxima cidade a ser
visitada Nossa Senhora da Glória. A chegada ocorreu a tarde onde cada procurou
se acomodar em alojamentos, pousadas, hotéis ou em casa de amigos, parentes ou
conhecidos. Ou seja, onde lhes convinha.
À noite, nos reunimos para a realização da Conferência: “O
Sertão tem Histórias”. Iniciada às 20h20 pelo professor Antônio Lindvaldo que
abordou em sua fala o mito sobre o Lobisomem João Valentim e o seu
pertencimento a cultura sertaneja.
Prof. Antonio Lindvaldo
João Valentim era um vaqueiro que por assumir características
físicas de sua profissão o atribuem a um lobisomem. Ser que segundo a lenda
trazida de Portugal durante o período colonial ao Brasil seria um homem que
fora mordido por um cão durante a lua cheia e outra vertente que conta ser o
sétimo filho que não foi batizado pelo irmão mais velho. O que se sabe sobre
esta figura é que nascera em Aquidabã, havendo documentos que o expõem como
nascido em Capela.
João Valetim tornou-se
um mito pelos diversos relatos de seus aparecimentos contados por populares que
diziam vê-lo transformado em animais, principalmente cachorro e gato. Residiu
em Nossa Senhora das Dores, Feira Nova e Monte Alegre. Tendo aparições em Nossa
Senhora da Glória. Faleceu em Aracaju de ataque cardíaco. Morrendo fisicamente
e mais tarde no imaginário. Relatos de
populares o trazem também como curandeiro.
Na mesma noite, o professor Uilder Celestino que sem sua
participação mostra a arte de “Veio” que retrata a cultura do sertão com artes
feitas com madeiras.
Prof. Uldier Selestino
Logo após, tivemos atividades culturais e a confraternização
através do Sarau iniciado com a apresentação do cantor Ygo Araujo juntamente
com um colega da turma Madson Santos que trouxeram o contexto do sertão sob o
arranjo da voz e de um violão. Na mesma noite, tivemos a presença de aboiadores
os quais pudemos observar a agilidade, a inteligência e o jogo rápido de versos
entre eles. E depois o típico forro pé
de serra. Havendo interação dos alunos.
Cantor Ygo Araujo/Madson Santos Aboiadores
Trio Pé de Serra
Segundo Dia da
Viagem:
Iniciamos a visitação no dia 27 pela manhã, tivemos a
oportunidade de conhecer a cidade do lobisomem João Valentim, a chamada Monte
Alegre. Nela fomos recepcionados pelo professor Cícero que nos acompanhou em
todo o nosso trajeto pela cidade. Contou-nos fatos acontecidos sobre João
Valentim. Levou-nos a casa do professor Eloi que fora amigo do lobisomem e contou-nos
até um fato acontecido entre ambos.
Depois fomos à casa que atualmente pertence ao senhor Brió
que fora vizinho de João Valentim. Este retrata o lobisomem humilde, pequeno,
trabalhador e possuidor de uma família grande que conheceu nos seus dezesseis
anos. Da casa onde supostamente morou João Valentim, fomos ao cemitério da
cidade para ver a sepultura do lobisomem mau.
Brió ( Boné verde) Cemitério de Monte Alegre
Do cemitério partimos para a cidade de Poço Redondo, mais
precisamente no povoado Sítios Novos onde almoçamos e logo após fomos ver uma
das representações do sertão “A Cavalhada”.
Ao chegarmos, nos reunimos numa capela chamada
“Cruz do Homem” que segundo o senhor Genovitor um dos integrantes do grupo de
tocadores de pífanos a capela foi construída em 1960 no local onde havia uma
árvore chamada Braúna em homenagem a um homem assassinado pelo motivo de
negociar com ouro. Então, pela morte de um inocente construíram a capela. Hoje
ela é preservada por uma senhora com apoio de outros, muitas são as promessas
feitas é o que relata o senhor Genovitor.
Senhor Genovitor Banda de Pífano
O mesmo nos explica a diferença entre aboios e entoadas e
junto com os outros integrantes do grupo iniciam apresentação da Cavalhada.
Esta é uma representação sertaneja de origem portuguesa que traz em seu
contexto a luta entre cristãos e mouros. Sendo composta por doze cavalheiros
que se dividem em dois grupos: Azul e Encarnado. Tivemos a oportunidade de
observar a participação da população, principalmente das mulheres na torcida,
os trajes dos cavalheiros e a decoração dos cavalos.
Apresentação da Cavalhada
A cavalhada consiste numa disputa entre os grupos já citados,
onde cada cavalheiro corre em sequência para tirar com sua lança uma argola que
se tirada é oferecida ao expectador que lhe dará um agrado por ser o escolhido.
A disputa acaba após cinco corrida de cada integrante e ganha aquele que tiver
tirado mais argola.
Cenas da Cavalhada
Deve-se ressaltar que antes da disputa os cavalheiros se apresentam em dupla em seus
cavalos em frente à capela onde estão os tocadores de pífanos pedindo o santo.
Logo após dirigem-se ao local onde ocorre a apresentação.
Apresentação final
No final, os cavalheiros se apresentam como no início aos
tocadores de pífanos na frente da capela, dançam e exaltam vivas. Enfim, esse
ritual cívico religioso acontece anualmente nos dias 3 e 4 de maio, mostrando a
cultura brasileira sob herança da Idade Média.
No término, seguimos para nossos ônibus para voltarmos as
nossas residências.
Turma de Sergipe II
Considerações
finais:
A viagem técnica ao sertão, sob o tema “Religiosidade, Mitos
e Representações Sertanejas” se concretizou em visitas, aulas públicas, relatos
de populares e musicalidades que se mostraram de grande importância para
complementar nosso conhecimento sobre o sertão e trouxe-nos também novidades.
Proporcionou a nós alunos o contato com diversas formas
culturais existentes no interior do nosso Brasil. Desde a Religiosidade
expressa em Nossa Senhora das Dores com a história da sua igreja e de suas
procissões realizadas durante a semana santa, e a apresentação dos Penitentes.
Ao Mito do homem que vira lobisomem em Nossa Senhora da Glória e Monte Alegre.
Valorizando a história oral destas comunidades. E por fim uma das
Representações Sertanejas com a cavalhada em Sítios Novos - Poço Redondo.
Ademais, tivemos a oportunidade de estar em contato com a
nossa cultura, participando dela e dando-lhe incentivo. Percebemos o quanto
somos ricos em demonstrações populares e o quanto o sertão tem a nos mostrar.
Não somente a seca e a pobreza, mas valores culturais que se deixarmos será
esquecido.
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